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CAVALCANTE - GO (25/02/2006)
Texto: Weverson Paulino
Decidi que não tentaríamos atravessar o rio, pois o risco seria maior,pois a correnteza estava forte e o rio subia muito rápido. Combinei com o Daniel e o Leonardo que já haviam atravessado a primeira etapa do rio, para eles seguirem pela trilha e nos esperar no outro ponto onde eles teriam que atravessá-lo novamente. Feito isso seguimos pelo lado direito do rio, por um lugar onde não havia trilha, até chegarmos num possível lugar seguro para fazer uma travessia. Íamos subindo e olhando vendo se encontrávamos esse ponto, porem percebi que o rio enchera de uma forma assustadora, sendo que tomei a decisão de não atravessar o rio em hipótese alguma, e seguir a recomendação do proprietário da fazenda, no que me orientou se o rio por ventura enchesse, não atravessá-lo e seguir pelo outro lado até achar a outra trilha que estaria a 4 kilometros. Nesse momento já era 17:50 e estava chuviscando muito, trovejando e ameaçando uma tempestade forte. Subi num ponto mais alto para poder orientar-me e tomar um norte para começarmos a caminhada em direção a trilha. Como na margem direita não havia trilha, procurei um caminho mais plano e limpo. Comigo estavam Suzana, Luciana, Birapuã, Humberto e Wochiton fui na frente vendo um caminho melhor e sempre me orientando pelo rio e serras para o encontro da trilha, porem o terreno é muito acidentado e o não costume das meninas em caminhadas, dificultava o desenrolar da caminhada. Tentei durante o caminho demonstrar para o grupo que a situação estava sob controle, e que apesar de não ter uma trilha que pudéssemos caminhar, estávamos no rumo certo e mostrava para eles com referencia a serras e pontos do rio, de onde estávamos e para onde iríamos. Em alguns momentos baixou no grupo o clima de duvida, pois alguns estavam achando que deveríamos ter atravessado o rio no primeiro momento, e que não deveríamos ter ido por um lugar onde não havia trilha, estavam com medo de chover forte, de ficar escuro de não conseguir, porem fui contendo aos poucos a ansiedade do grupo dizendo que iria estar tudo certo e que chegaríamos com segurança e que não tínhamos com o que se preocupar porque tinha que tomar uma decisão ali que não colocasse a segurança do grupo em risco, e que estava tudo sob controle para não se preocuparem que eu sabia muito bem que estava fazendo. A minha preocupação crescia cada minuto quando lembrava que o Daniel e o Leonardo estavam na trilha do outro lado do rio e que eles teriam que atravessar o rio novamente. Porem eles não estavam com corda, não estavam com suas mochilas, estavam com a roupa molhada sem comida e sem água. De certa forma o meu medo era que eles tentassem atravessar o rio naquela situação. Porem lembrei que do lado que eles estavam havia uma casinha na trilha que serveria de abrigo, e que eles não estavam sozinhos do outro lado, pois havia um grupo de aproximadamente 10 pessoas.que também não tinha conseguido atravessar o rio mais a frente pois já estava bem cheio. Quando foi por volta das 18:30 ficou tudo escuro e decidi não caminhar na frente, e sim lado a lado com o grupo pois a visibilidade estava muito baixa e temi que o grupo não conseguisse me ver e saber por onde estava abrindo o caminho. Nisto a preocupação e inquietação a raiva o medo e outros sentimentos foram tomando conta do grupo, pois para muitos ali era a primeira vez que tinham contato com um ambiente selvagem e nunca haviam passado por nenhuma experiência semelhante. Por volta das 19:20 fiquei frente a frente com o meu objetivo, onde suspeitava que estava o nosso objetivo o inicio da trilha. Porem como a visibilidade era ruim devido a escuridão, e os demais estavam cansados de caminhar no meio do mato subindo descendo e molhando. Decidimos ali parar e esperar amanhecer para continuar a achar a trilha.
Neste momento passou muita coisa pela minha cabeça, pois tinha 90% de certeza que a trilha iniciava ali, e que estávamos bem próximos. Porem mais uma vez pensando na segurança do grupo e vendo que tínhamos condições de passar a noite naquele local decidi aceitar a idéia do grupo e ficar ali naquela noite. O Lugar não era muito confortável pois era numa parte um pouco inclinada da serra. Porem nos aconchegamos, o tempo logo abriu o céu ficou estrelado, acendemos uma pequena fogueira, comemos, bebemos água e esperamos as horas passarem o dia raiar e continuarmos a volta para onde estava nossos carros. Durante a noite o frio castigou todos nós pois o fogo não havia secado nossas roupas por inteiro, alguns do grupo se abraçaram e iam se solidarizando com o calor do corpo todos juntinhos menos frio...

Por volta das 06 da manha e com os primeiros raios solares , percebi que minha orientação em relação a trilha estava certa, havíamos acampado a 50 metros do inicio da trilha que nos levaria para o carro. Fiquei feliz porque passamos a noite numa boa, ninguém havia se machucado, e que estávamos indo para o carro. Porem a minha preocupação era agora com o Daniel e o Leonardo, onde eles estavam?
Será que estava tudo bem com eles? Quando chegamos no Lugar combinado, percebi que o rio havia baixado um pouco, porem a água ainda muito suja e um detalhe, Havia na margem duas motos, que era de turistas que estavam na Cachoeira. Como já era dia e a margem estava apenas com a moto, concluímos que eles haviam atravessado o rio e que estavam no veiculo nos esperando. Porem varias coisas passaram na nossa mente. Pois havia o risco também de que eles pudessem ter ficado na casinha que fica mais atrás na trilha e passado a noite lá, devido ao rio cheio. Concluímos então que eles já haviam atravessado e estavam nos esperando no veiculo. Ao chegar no veiculo e não vê-los decidimos voltar para procurá-los. Porem o Dono da fazenda nos encontrou ainda no inicio da volta e nos disse que as pessoas que estavam ilhadas conseguiram passar e foram dormir na casa dele. E que os nossos amigos, depois que atravessaram foram tentar ir atrás de nós na outra margem. Mas como estava escuro eles dormirão em uma pedra na trilha e esperaram amanhecer para buscar ajuda Graças a Deus tudo deu certo, chegamos a salvo do outro lado. O que ficou foi um grande aprendizado para cada um. Lições de companheirismo, de solidariedade criatividade e principalmente o valor em pequenas coisas foram mostradas naquela noite debaixo daquelas estrelas.
Eu agradeço a todos aqueles que confiaram no meu trabalho de guiagem e se colocaram dispostos a caminhar do meu lado para encontrarmos uma saída e solução para a surpresa da tarde que foi uma enchente. Fica provado nesta experiência que a presença de um guia, um bom equipamento e vestes de caminhada, assim como ter todo um planejamento de uma passeio, são fundamentais para que o passeio não termine em uma tragédia. Agradeço muito a Deus por nos ensinar a saber a tomar a decisão certa.

Quem quiser saber mais informações sobre Cavalcante, dos atrativos e de como foi a aventura entre em contato:
weversonp@gmail.com

Weverson Paulino
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