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MAMBAI - GO (20/03/2008)
Texto: Luiz Antônio
Às 8h da manhã de sábado o acampamento já estava movimentado. A maior parte dos expedicionários já havia tomado o desjejum. Tal qual na manhã anterior a ressaca se fazia presente em alguns. Sinal de que o luau no sítio foi animado.
Todos aguardavam o famoso grito:
“Olha o brieffing”.
E ele veio. Fabiana e Leandro fizeram as recomendações e apresentaram as atividades do dia. Cachoeira do Funil, com direito ao rapel para aqueles que estão dispostos a desembolsar R$25,00, uma galinhada em um sítio próximo da cachoeira e visita à Cachoeira Sumidouro. Novo desfile de jipes pela cidade e desta vez o deslocamento pelo asfalto foi pequeno.
Câmeras fotográficas a tiracolo, caixa de isopor devidamente abastecida com água, refrigerante e cerveja, mochilas nas costas e vamos nós pela trilha. Caminhamos em torno de 150m e nos deparamos com um pântano.
“Acabou a trilha, vamos passar por onde?”
E o Leandro informando que o caminho era aquele mesmo.
“É só enfrentar a água”. “E cobra sucuri, jibóia, piranha, mãe d’água não tem não?”
Logo um expedicionário expressa sua opinião categórica:
“A sucuri já comeu o primeiro turista que passou hoje por aqui, portanto não tem mais perigo”.
Fazer o quê! Enfrentar a água. A Débora não resistiu, escorregou e acabou sentada naquela água barrenta. Gargalhada geral, principalmente a do Wellington. Enfrentado o pântano, tênis outrora branco e agora preto, chegamos à terra firme.
E “vamu qui vamu” a Funil nos espera. Mais uma boa caminhada e nos deparamos com formações rochosas espetaculares, verdadeiro jardim de pedra, lindíssimo. As fotos mostram àquilo que não consigo transmitir, e mais à frente um jardim de flores amarelas. Se o aperitivo é este, então a cachoeira deve ser um espetáculo à parte. Mais uma caminhada e nossos ouvidos captam o som dela. Surge em nossa frente a Cachoeira do Funil, majestosa, cuja queda forma uma cortina branca cobrindo a entrada de uma caverna. O rio penetra por esta caverna e sai bem mais à frente. Flashes estouram. Todos querem registrar em suas câmeras aquela maravilha que a natureza nos proporciona.
Uma parte do grupo devidamente paramentado – capacetes, luvas, cadeirinhas - dirige-se para o alto da cachoeira onde estão posicionadas as cordas para o rapel, e outro grupo desce a escada para mergulhar naquela água e tirar fotos. Não demora muito o Paulo surge lá no alto como a primeira pessoa a descer pelas cordas tendo ao lado as águas da cachoeira. Demonstra conhecimento e experiência naquilo que está fazendo. Andréia embevecida admira a bravura de seu marido. “É uma pessoa destemida, forte, corajosa, bom companheiro, bom filho, bom pai. Será que ele ainda está treinado? A última vez que praticou rapel tinha apenas 18 aninhos”. Em seguida outros vão descendo: LAPS, Rasquinho, Leo Gazzola, Reya, Justin, Fabiana, Joyce, Natuzza, Cléo, Wellington (será que me esqueci de alguém?). No início estava receoso em enfrentar aquela descida. Não era medo. Como nunca havia feito algo semelhante achava melhor não me arriscar, mas vendo o pessoal enfrentar o desafio e a cara de felicidade com que chegavam lá embaixo, concluí que o momento era aquele. Eufórico, peguei os equipamentos, fui para o alto da cachoeira e ali mesmo junto às cordas o Maurício repassou-me as instruções. A adrenalina já estava no ponto e “vamu qui vamu” que a Funil me espera. Desci com o corpo quase perpendicular às pedras e logo já estava no espaço balançando ao sabor do vento, sentindo a água molhar o meu corpo. À medida que descia fui aprendendo a manejar melhor a corda. Cheguei lá embaixo eufórico, feliz e até acho que me saí bem.
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