| Para um amante
da pescaria, ficar um longo tempo sem pescar é uma tortura,
agora imagine ficar mais do que um ano sem curtir esta arte. Depois
de combinarmos toda a estratégia, partimos para o famoso Castanhão,
mesmo sabendo que nas últimas pescarias nossos amigos pescadores
não obtiveram sucesso com os monstros denominados Pinimas (espécie
de Tucunaré). Então partimos para tentar a sorte, e
eu, mais para dar fim ao longo jejum de pescarias.
ROTA E FIM DE TARDE NO CASTANHÃO
Em uma ensolarada e quente sexta-feira, rumamos ao açude.
No volante nosso amigo Henrique foi tocando o carro, saindo de Fortaleza
via BR-116, consequentemente pegando a BR-122, passando por Chorozinho
e também por Morada Nova pela CE-138. Chegamos à cidade
de Nova Jaguaribada, onde fomos deixar as coisas na pousada, colocar
os trajes de pesca, arrumar as tralhas, buscar o barco e já
dar os primeiros pinchos no final da tarde. Apesar de tamanha empolgação
tivemos pouquíssimas ações, mas já valeu
à pena ter ido conhecer o lago, esticar as linhas, molhar
as iscas e perceber que uma simples fisgada ou uma corrida da linha
já fez o dia valer, pois como falei, um ano sem pescar para
quem gosta é um castigo e tanto.
BONS SERVIÇOS
Nosso ponto de apoio foi, e com certeza será novamente, a
pousada do Pereira, não só pela qualidade do serviço,
mas também pelo preço e as deliciosas refeições
que são servidas, em destaque o baião-de-dois que
merece sempre ser repetido. Outro destaque para quem vai ao Castanhão
é o Xexéu, conhecido por todos pescadores e pelo rancho
que leva seu nome. Foi em seu rancho que apoitamos nosso barco.
Xexéu é um caboclo daqueles que qualquer um que chegar
lá para usar suas instalações, vai ser bem
recebido e acolhido. Coisas típicas de um interior onde os
preços são baixos e a qualidade dos serviços
deixa qualquer turista ou pescador satisfeito.
SEGUNDO DIA
No outro dia as 4 da matina já estávamos de pé
e partindo para o rancho do Xexéu. Seguimos rumo as Lajes,
e neste dia logo cedo tivemos várias ações;
peixes pequenos, batidas de peixes grandes e corridas que fizeram
o coração bater forte. Destaque para o exemplar fisgado
pelo companheiro Bruca, antes fisguei uma Traíra que deu
uma boa corrida, nosso amigo Henrique também fisgou vários
Tucunas, e todas as ações valeram por suas brigas,
sorrisos e fotos. Outro destaque foi as postas de peixe Camarupim
e Cavalinha que nosso amigo Henrique levou. Assamos esta deliciosa
iguaria em uma praia de pedras, nesta praia percebi que todo cuidado
deve ser pouco, pois os espinhos dos Mandacarus, que até
parecem ouriços, cobrem todo o chão e atravessam calçados
com solados finos. Então fica a dica para utilizarem calçados
com solados grosso, ou até improvisar um solado de material
que os espinhos não entrem, como plástico duro ou
até alumínio. À noite, todos cansados fisicamente,
pois sair para pescar às 4 horas da manhã e parar
a pescaria às 17 horas tendo apenas uma hora para almoço
deixa qualquer camarada pregado, mas de alma lavada.
TERCEIRO DIA
O último dia sempre é aquele em que todos já
acordam meio tristes, pois saber que teremos que voltar para a cidade
e seguir a rotina faz com que qualquer pescador ou aventureiro repense
sua vida. Mas como os Tucunas não esperam zarpamos novamente
as 4 da madruga para o lago e rumamos novamente para as Lajes.
Dessa vez tivemos várias ações de peixes ainda
maiores que no dia anterior. Destaque mais uma vez para Bruca que
fisgou um lindo Tucuna amarelo e também aos vários
peixes fisgados por nosso companheiro Henrique. Neste dia ainda
subimos para pescar próximo à serra da Micaela, uma
formação rochosa que impressiona aqueles que visitam
o Castanhão. Bem próximo da serra batemos perto do
ponto chamado Escolinha, e depois partimos para tentar a sorte na
ponte da BR e no braço que segue através dela. Neste
ponto não tivemos ação alguma, mas a beleza
do lugar vale à pena conhecer. Depois de meio dia de pescaria
retornamos para a pousada, arrumamos as tralhas e botamos o pé
na estrada para retornar a Fortaleza. Na estrada uma chuva que não
víamos há tempos refrescou o sertão do Ceará.
ATAQUES, CHUVAS E CONSIDERAÇÕES
Vários ataques, corridas de grandes peixes, peixes fisgados,
mas que escaparam, como um de 3 a 4kg fisgado pelo Bruca, outro
que deixei escapar que também demonstrava ser um monstrinho
e outro ainda que fez nosso amigo Henrique abrir um sorriso mostrando
o quanto é bom pescar. Notamos também que as chuvas
aqui fazem grande diferença, pois do segundo para o terceiro
dia caiu uma boa chuva na madruga que fez uma diferença perceptível
nas ações, pois surgiram peixes maiores e mais ativos.
Não é a toa que muitos afirmam que a melhor época
de pescar no Castanhão é no inverno, época
que os brutos aparecem. Esta pescaria teve papel importante pra
mim, pois depois de um ano sem pescar, encarar o Castanhão
e suas brigas foi sem dúvida um ótimo regresso ao
mundo da pesca esportiva. Além disso, poder valorizar pessoas
simples, como aqueles que prestam serviços em Nova Jaguaribara,
e prestigiar uma boa amizade com parceiros de pesca, fazem com que
cada investida seja para curtir e refletir os bons momentos.
Que venha a próxima e lembre-se, PESQUE,
FOTOGRAFE E SOLTE!
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