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TREKKING: 13 ITENS BÁSICOS - Por: Rodrigo Bulhões
PARTE 1 PARTE 2
Para dar início à minha coluna no site DOCERRADO, nada melhor do que falar sobre uma das coisas mais básicas em relação à prática de trilha à pé, aproveitando o ensejo do relato do Weverson Paulino, o Guia da Chapada, onde descreveu a cheia do Rio Prata, em Cavalcante, GO, durante o carnaval. Este assunto básico é a escolha do que levar na mochila. Primeiramente gostaria de tratar de terminologia.

O termo “trekking”, que é o mais utilizado para descrever a atividade de percurso de trilhas à pé, tem origem na África do Sul, na palavra “trek”. O termo passou a ser amplamente empregado no início do século XIX, pelos “vortrekkers”, primeiros trabalhadores holandeses que colonizaram a região. O verbo “trekken” significava “migrar” e carregava uma conotação de sofrimento e resistência física, numa época em que a única forma de se deslocar de um ponto a outro na África do Sul era caminhando.
Quando os britânicos invadiram a região e estabeleceram seu domínio político na África, a palavra foi absorvida pela língua inglesa e passou a designar as longas e difíceis caminhadas realizadas pelos exploradores em direção ao interior do continente.
Hoje em dia o termo em africâner significa algo mais como “travessia na natureza”. Assim, atualmente, para nós apreciadores dos esportes ao ar-livre, trekking significa, em geral, a caminhada de mais de um dia onde se carrega na mochila os apetrechos necessários para a sua caminhada, como barraca, cozinha e alimentos, ou mesmo a caminhada de um só dia. A palavra da língua inglesa “hike”, que significa “caminhar rapidamente” é mais utilizada quando se trata de um trekking de um dia onde se anda mais leve e, geralmente, correndo.

Por exemplo, um passeio bem popular entre meus amigos é o Bike’n Hike da Ponte de Pedra, em Cavalcante. Vamos de bicicleta da cidade até a fazenda Renascer, onde deixamos a bike e passamos a ir correndo (hiking) até a cachoeira do Bartolomeu, que fica na base do morro que dá acesso à Ponte de Pedra. Depois do banho de cachoeira subimos o morro e voltamos ao hiking até a Ponte de Pedra.

O hiking exige preparo físico, assim como o trekking, e, mais que isso, roupas adequadas e técnicas de progressão para evitar quedas e torsões. Feitas estas considerações, voltemos ao episódio em que o grupo do Weverson foi obrigado a bivacar se abrigar improvisadamente ao relento). O Weverson, meu companheiro de trilhas, é um guia experiente e levava consigo comida extra, isqueiro e etc.
Mas, numa trilha de poucas horas, com duração de menos de um dia, como é a trilha do Rio Prata, as pessoas tendem a negligenciar o preparo e a prevenção. As pessoas riem de mim porque, não importa qual seja a trilha, eu levo sempre uma mochila com os itens básicos.
Eu, em contrapartida, acho um absurdo qualquer pessoa que vai para a trilha calçando uma papete ou chinelo e levando nada mais além de um cantil, protetor solar, máquina fotográfica e alguma comida. É claro que uma trilha no Jardim Botânico de Brasília, um ambiente praticamente urbano e controlado, não terá a mesma necessidade de uma trilha no agreste de Cavalcante, portanto o bom senso é essencial. Assim, várias pessoas têm suas listas de itens básicos, geralmente dez, a serem levados para a trilha.
Os meus essenciais são 13, mas, dependendo do tipo de atividade e usando-se o bom senso, pode-se diminuir ou até aumentar o número de itens básicos.

São eles: Isqueiro, kit de primeiros socorros, cobertor de emergência, roupa seca extra, comida extra, pílulas de purificação de água ou água purificada, lanterna, telefone celular ou radiocomunicadores, repelente, protetor solar, mapa e bússola, canivete multifunção e sacos para lixo. O isqueiro é essencial para fazer-se uma fogueira de emergência, devendo-se levar em consideração que fogueiras em ambientes naturais são extremamente perigosas e devem ser feitas com todo o cuidado, do qual falarei em uma próxima coluna.
O ideal é que se leve o isqueiro dentro de um compartimento seco, ou estanque, e pode ser substituído por fósforos, de preferência impermeáveis. O kit de primeiros socorros para uma saída de um dia não precisa ser muito complexo.
Relaxante muscular, antiinflamatório, analgésico, antialérgico (para picadas de abelhas e outros insetos), antiséptico líquido e colírio são os mais básicos. Sempre podem ser acrescidas ataduras, antiespasmódicos, e etc, mas deve prevalecer o bom senso.
Por exemplo, eu tenho pressão alta, por isso sempre levo meus remédios comigo. O cobertor de emergência é essencial para, numa situação emergencial, se evitar uma hipotermia, que é a diminuição excessiva da temperatura normal do corpo.
Os cobertores de emergência, ou mantas térmicas, são feitos de poliéster não deformável aluminizado, refletem o calor do corpo, e podem proteger do sol, chuva e vento. São encontrados facilmente em lojas especializadas e também vêm na versão saco, mais práticos.
A roupa seca também é essencial para evitarmos a hipotermia no caso de termos nossas roupas molhadas.
O ideal é que se leve um anoraque (casaco impermeável e corta-vento) ou capa de chuva, e um kit de roupas secas dentro de um saco estanque ou tipo zip-loc, usando o bom senso conforme o clima da região. Lembre-se da possibilidade de passar a noite no relento.
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