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CANIONISMO - Por: Rodrigo Bulhões
PARTE 1 PARTE 2
O canionismo é uma prática desportiva que consiste em descer um rio confinado dentro de um cânion utilizando técnicas de trekking, escalada, espeleologia, natação, canoagem e rafting. No entanto, em seus primórdios, o canionismo nasceu a partir da espeleologia.
Os franceses chamam de “descente de canyons” (descida de cânions), “canyonisme” ou “canyoning”, os espanhóis chamam de “descenso de barrancos” ou “barranquismo”, e os americanos chamam de “canyoneering”. A espeleologia é a ciência do estudo e exploração das cavidades naturais, como grutas cavernas, fontes e etc. A simples exploração ou visita das cavernas está por vezes associada à espeleologia, embora não deva ser confundida com esta ciência. A esta exploração ou visita não científica se dá o nome de caving ou cavernismo. No entanto, técnicas de progressão vertical em cordas por vezes são necessárias tanto na exploração científica quanto na exploração por mero divertimento.

As cavernas começaram a ser alvo de estudos científicos a partir da segunda metade do século XIX. Nascido na França, Edouard Alfred Martel (1859-1938) é considerado o pai da espeleologia. Desde tenra idade Martel se apaixonou pelo mundo subterrâneo, tendo efetuado as suas maiores explorações em 1888, no maciço central francês. Em 1895 fundou a Sociedade de Espeleologia Francesa, a primeira associação de caráter espeleológico na França e no mundo. No entanto a espeleologia não podia progredir sem a contribuição de outras ciências.
As dificuldades inerentes à exploração das grutas, bem como a subida e descida de poços de grandes dimensões, exigiam técnicas e materiais específicos. Robert de Joly, discípulo e seguidor de Martel, foi o primeiro a inventar e a aperfeiçoar radicalmente o material de exploração espeleológica. Os seus sistemas de iluminação, aparelhos de subida e descida e inclusive o seu traje, foram copiados e imitados no mundo inteiro. É considerado o pai da espeleologia desportiva. Destas técnicas de espeleologia desportiva é que foram desenvolvidas, juntamente com as técnicas de escalada, as principais técnicas verticais em corda também usadas em canionismo.
Em contraste com as cavidades fechadas, os rios confinados em cânions também começaram a ser explorados por Martel.
Em 1988 ele realizou o que pode ser considerada a primeira descida de cânion do mundo, a descida da Garganta do Bramabiau, e ganhou maior destaque a descida do Cânion Verdon, em 1904. Em 1970, Louis Adoubert descobriu os famosos cânions da Sierra de Guará, na Espanha, até hoje considerado um dos melhores locais do mundo para a prática do canionismo.
Em 1988 foi criada a Comissão Cânion dentro da Federação Francesa de Espeleologia, momento em que o canionismo ganhou representatividade. Essa comissão passou a regulamentar a prática na França, prática essa já então considerada esportiva, e deu origem à Escola Francesa de Descida de Cânions ou Escola Francesa de Canionismo (École Française de Descente de Cânions).
Hoje em dia existem várias associações, entre elas o Comité de Barrancos (Comitê de Cânions) da Escuela Aragonesa de Montañismo (Escola Aragonesa de Montanhismo), na Espanha, a American Canyoneering Association (Associação Americana de Canionismo) que atua nos EUA e México, a recente Comissión Europeenne de Canionisme (Comissão Européia de Canionismo), mais presente na Alemanha e Áustria, assim como a ABCânion (Associação Brasileira de Canionismo). No Brasil o pioneiro do Canionismo foi Carlos Zaith nos anos 1990, hoje proprietário da H2Omem, em Brotas. Além de Brotas, os locais mais populares para a prática de canionismo são a Serra Geral no Rio grande do Sul, e a Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Um marco para o canionismo nacional foi a fundação, em 2000, da ABCânion.
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