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INTRODUÇÃO À ESPEOLOGIA - Por: Rodrigo Bulhões
PARTE 1 PARTE 2
Semana passada, ao escrever sobre canionismo, comentei sobre o começo da espeleologia, e sobre Edouard Martel, que é considerado o pioneiro da espeleologia científica. Como eu disse, a espeleologia é a ciência do estudo e exploração das cavidades naturais, como grutas cavernas, fontes e etc. A simples exploração ou visita das cavernas está por vezes associada à espeleologia, embora não deva ser confundida com esta ciência. A esta exploração ou visita não científica se dá o nome de caving ou cavernismo. No entanto, técnicas de progressão vertical em cordas por vezes são necessárias tanto na exploração científica quanto na exploração por mero divertimento.
Define-se caverna como cavidade natural passiva de ser penetrável pelo homem, com no mínimo de 20 m de desenvolvimento horizontal ou 10 m de desenvolvimento vertical. As cavernas predominantemente horizontais são geralmente chamadas de grutas, também conhecidas como lapas, e as predominantemente verticais são chamadas de abismos.
A espeleologia envolve tanto a prática científica quanto a esportiva. Cientificamente, a espeleologia se relaciona com a geologia, geografia, biologia, arqueologia e paleontologia. Esportivamente envolve as práticas de prospecção (procura e descoberta de cavernas), exploração, topografia e fotografia. A maioria das cavernas de todo o mundo é predominantemente formada em rocha calcária, pois esta tem uma propriedade de se dissolver em água levemente ácida. Essas rochas calcárias foram formadas há milhões de anos em fundos de mares que hoje já não mais existem, através do acúmulo de sedimentos ricos em carbonato de cálcio e magnésio, como conchas.
Essas rochas formadas pelo acúmulo de sedimentos são chamadas de sedimentares, podendo haver diferentes tipos de sedimento, como areia e argila. Com a regressão dos mares com o passar dos anos, sobraram os sedimentos petrificados de rocha calcária.
Graças a ação de chuvas, movimentos de cursos d’água e deslocamentos tectônicos começaram as formações das cavernas.
A rocha calcária é dissolvida pelas águas das chuvas e dos rios, formando os “buracos” chamados de cavernas.
No interior das cavernas ocorrem os espeleotemas, que nos chamam a atenção pela sua delicadeza e beleza impressionantes.
A formação destes ornamentos são muito complicados e difíceis de entender, motivo pelo qual eu não discorrerei sobre o assunto em um artigo despretenciosamente introdutório. Geralmente, quanto mais velha a caverna, maior o número de espeleotemas.
Somente a título de informação, alguns dos espeleotemas mais comuns são as estalagtites, estalagmites, helectites, pérolas, escorrimentos (chão de estrelas), cortinas, jangadas, colunas, reposteiros e represas de travertino.

A progressão em cavernas exige equipamentos e técnicas próprias. Para a progressão horizontal é necessário o uso de capacetes com sistema de iluminação a gás acetileno (carbureto) e/ou elétrico, macacões adequados a diferentes condições de temperatura e umidade, mochilas de PVC, uma pequena corda de cerca de 25 m, compartimentos estanques (que não deixam entrar água) e alguns mosquetões.
O sistema de iluminação a gás acetileno funciona a partir de uma carbureteira, que é um pequeno recipiente cilíndrico que vai preso ao cinto do espeleólogo, com dois compartimentos. No compartimento superior fica um reservatório de água com um regulador que controla o gotejamento no compartimento inferior. No compartimento inferior fica um composto mineral chamado de carbureto.
O carbureto reage com a água e forma o gás acetileno, que alimenta a chama no refletor do capacete através de um tubo de ligação.
A borra, ou seja, a sobra do carbureto usado, nunca deve ser deixado na caverna, assim como qualquer outro detrito ou dejeto.
As cavernas apresentam diferentes condições de umidade e temperatura. Tecidos como Cordura são bons para cavernas onde existe muita água, pois secam rápido. Macacões de Supplex são ideais para cavernas mais quentes. Macacões de algodão são melhores para cavernas mais frias e secas. O motivo pelo qual os espeleólogos usarem geralmente macacões é porque muitas vezes precisamos nos arrastar dentro das cavernas. Fazer isso com calças faz com que a lama penetre dentro da roupa, o que é evitado com o uso dos macacões.
Os calçados também precisam ser bem resistentes, geralmente coturnos.
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