Semana passada, ao escrever sobre canionismo, comentei
sobre o começo da espeleologia, e sobre Edouard Martel, que
é considerado o pioneiro da espeleologia científica.
Como eu disse, a espeleologia é a ciência do estudo e
exploração das cavidades naturais, como grutas cavernas,
fontes e etc. A simples exploração ou visita das cavernas
está por vezes associada à espeleologia, embora não
deva ser confundida com esta ciência. A esta exploração
ou visita não científica se dá o nome de caving
ou cavernismo. No entanto, técnicas de progressão vertical
em cordas por vezes são necessárias tanto na exploração
científica quanto na exploração por mero divertimento.
Define-se caverna como cavidade natural passiva de ser penetrável
pelo homem, com no mínimo de 20 m de desenvolvimento horizontal
ou 10 m de desenvolvimento vertical. As cavernas predominantemente
horizontais são geralmente chamadas de grutas, também
conhecidas como lapas, e as predominantemente verticais são
chamadas de abismos.
A espeleologia envolve tanto a prática científica quanto
a esportiva. Cientificamente, a espeleologia se relaciona com a geologia,
geografia, biologia, arqueologia e paleontologia. Esportivamente envolve
as práticas de prospecção (procura e descoberta
de cavernas), exploração, topografia e fotografia. A
maioria das cavernas de todo o mundo é predominantemente formada
em rocha calcária, pois esta tem uma propriedade de se dissolver
em água levemente ácida. Essas rochas calcárias
foram formadas há milhões de anos em fundos de mares
que hoje já não mais existem, através do acúmulo
de sedimentos ricos em carbonato de cálcio e magnésio,
como conchas.
Essas rochas formadas pelo acúmulo de sedimentos são
chamadas de sedimentares, podendo haver diferentes tipos de sedimento,
como areia e argila. Com a regressão dos mares com o passar
dos anos, sobraram os sedimentos petrificados de rocha calcária.
Graças a ação de chuvas, movimentos de cursos
d’água e deslocamentos tectônicos começaram
as formações das cavernas.
A rocha calcária é dissolvida pelas águas das
chuvas e dos rios, formando os “buracos” chamados de cavernas.
No interior das cavernas ocorrem os espeleotemas, que nos chamam a
atenção pela sua delicadeza e beleza impressionantes.
A formação destes ornamentos são muito complicados
e difíceis de entender, motivo pelo qual eu não discorrerei
sobre o assunto em um artigo despretenciosamente introdutório.
Geralmente, quanto mais velha a caverna, maior o número de
espeleotemas.
Somente a título de informação, alguns dos espeleotemas
mais comuns são as estalagtites, estalagmites, helectites,
pérolas, escorrimentos (chão de estrelas), cortinas,
jangadas, colunas, reposteiros e represas de travertino.
A progressão em cavernas exige equipamentos e técnicas
próprias. Para a progressão horizontal é necessário
o uso de capacetes com sistema de iluminação a gás
acetileno (carbureto) e/ou elétrico, macacões adequados
a diferentes condições de temperatura e umidade, mochilas
de PVC, uma pequena corda de cerca de 25 m, compartimentos estanques
(que não deixam entrar água) e alguns mosquetões.
O sistema de iluminação a gás acetileno funciona
a partir de uma carbureteira, que é um pequeno recipiente cilíndrico
que vai preso ao cinto do espeleólogo, com dois compartimentos.
No compartimento superior fica um reservatório de água
com um regulador que controla o gotejamento no compartimento inferior.
No compartimento inferior fica um composto mineral chamado de carbureto.
O carbureto reage com a água e forma o gás acetileno,
que alimenta a chama no refletor do capacete através de um
tubo de ligação.
A borra, ou seja, a sobra do carbureto usado, nunca deve ser deixado
na caverna, assim como qualquer outro detrito ou dejeto.
As cavernas apresentam diferentes condições de umidade
e temperatura. Tecidos como Cordura são bons para cavernas
onde existe muita água, pois secam rápido. Macacões
de Supplex são ideais para cavernas mais quentes. Macacões
de algodão são melhores para cavernas mais frias e secas.
O motivo pelo qual os espeleólogos usarem geralmente macacões
é porque muitas vezes precisamos nos arrastar dentro das cavernas.
Fazer isso com calças faz com que a lama penetre dentro da
roupa, o que é evitado com o uso dos macacões.
Os calçados também precisam ser bem resistentes, geralmente
coturnos. |