As cavernas contêm ecossistemas extremamente frágeis. Entrar numa caverna sem conhecimentos sobre a formação destas e sem o acompanhamento de alguém experiente pode ser prejudicial para a cavidade e perigoso para o visitante. A caminhada em cavernas deve ser feita com muito mais cuidado do que em outros ambientes agrestes, ou seja, com atenção redobrada, evitando-se correr ou saltar. Podemos usar cordas de apoio em lances inclinados difíceis de descer ou subir.
O maior perigo em cavernas são os rios. É necessário tomarmos cuidados com chuvas que sobem os níveis dos rios, devendo-se evitar cavernas percorridas com rios quando se está chovendo ou com essa possibilidade, pois o risco de ficar preso dentro da caverna ou mesmo de ser arrastado por uma enxurrada é grande. Também se deve ter muito cuidado com a natação em correntezas. Existem técnicas específicas com cordas para a travessia de rios muito caudalosos. Tetos baixos por vezes obrigam o espeleólogo a se arrastar e podem provocar o sifonamento. O sifão ocorre quando a água do rio atinge o teto da caverna, quando a melhor opção é desistir e voltar num dia mais seco. No caso de sifões permanentes, a única forma de vencê-los é mergulhando. O mergulho em caverna é uma atividade extremamente perigosa e só pode ser realizado por pessoas muito bem treinadas. No caso de abismos, a progressão vertical obriga a utilização de equipamentos de descida em corda e técnicas específicas, que não é conveniente detalhar em um artigo com o objetivo de iniciar as pessoas.
O primeiro grupo espeleológico brasileiro foi a Sociedade excursionista e Espeleológica da escola de Minas de Outro Preto, em 1937 em 1969 foi criada a Sociedade Brasileira de Espeleologia. Recentemente foi criada a Redespelo, que, assim com a SBE, congrega vários grupos regionais. Em Brasília existem dois grupos de destaque. O Gregeo, que é o grupo espeleológico do curso de geologia da UnB e o EGB – Espeleo Grupo de Brasília, do qual eu faço parte. O EGB foi criado oficialmente em 1977, apesar de seus membros já terem começado a explorar cavernas em Brasília desde 1973, com a tentativa de localização da Gruta dos Ecos, na época chamada de Caverna da Fazenda Corumbá. O EGB pode ser considerada a mais antiga ONG ambiental do DF. Nesses quase 29 anos de existência, o EGB vem trabalhando em vários estados brasileiros, promovendo a descoberta de mais de uma centena de cavernas. O principal objetivo do EGB é o de descobrir novas cavernas e topografá-las, ou seja, mapeá-las. O EGB funciona em uma sala no Estádio Mané Garrincha. Temos reuniões todas as terças-feiras às 19h30. É só chegar na entrada do estádio e perguntar a algum dos vigias onde fica. O grupo é aberto a qualquer um que quiser participar. Quem quiser sair com o grupo em suas saídas de campo deverá ter frequentado pelo menos três reuniões e feito o curso básico de espeleologia, ministrado gratuitamente pelo grupo conforme a demanda. Após o curso os aspirantes a sócios são levados a conhecer uma caverna. A aprovação de sócios é feita a cada seis meses e os sócios pagam uma semestralidade de R$ 37,00. Essa aprovação é feita pelo fato de muitas pessoas começarem a frequentar o grupo, mas depois desistirem.
O grupo é formado por pessoas com diversas formações e tem uma preocupação muito grande com a segurança e treinamento dos sócios, promovendo treinos de técnicas verticais em corda e cursos de topografia em cavernas.Maiores informações no site do grupo: www.espeleogrupodebrasilia.org . Atualmente o EGB está prospectando, explorando e topografando cavernas nas regiões de Arinos - MG, e Nova Roma – GO. Existem várias cavernas no DF, assim como em regiões por perto, como Goiás e Minas Gerais. Um ótimo local para se visitar cavernas é o Parque Estadual Terra Ronca, no município de São Domingos - GO. Para terminar, gostaria de mais uma vez dizer que cavernas são extremamente frágeis e perigosas se exploradas por quem não tem conhecimento. Por isso, se você estiver interessado em entrar em uma caverna, contrate um guia experiente, ou junte-se a um grupo espeleológico. E não esqueça: da natureza não trazemos nada além de fotografias, e não deixamos nada além de pegadas. Boas trilhas, Bulha. |