Eu tenho muitos amigos que praticam esportes ao ar-livre,
entre eles muitos que gostam de participar de corridas de aventura.
Eu, apesar de gostar da vida ao ar-livre, nunca fui muito fã
do sofrimento que os atletas desse esporte passam, principalmente
frio, fome e privação do sono. Mas sempre quis participar
de uma corrida destas. Assim, me especializei em fazer apoio em corridas
longas.
Nem todo mundo pode participar desse tipo de corrida destas como atleta,
mas ser apoio é uma ótima forma de se envolver com o
esporte e ser parte fundamental para a vitória do time.
A corrida de aventura é um esporte que envolve orientação
por mapa e bússola e pelos menos duas ou mais modalidades de
práticas ao
ar-livre, como trekking, hiking, cavalgada, mountain bike, canoagem,
rafting, técnicas verticais em corda (tirolesa, jumar ou descida
em corda, etc.), escalada, canionismo, cavernismo, montanhismo, esqui
e patins in-line. Também é conhecida como corrida de
expedição ou corrida multi-esportiva. Os primórdios
das corridas de aventura começaram na Noza Zelândia,
quando Robin Judkins organizou o primeiro Iron Man Alpino em 1980,
mais ou menos ao mesmo tempo em que começaram as provas de
triatlhon.
O Iron Man Alpino incluía ciclomontanhismo, caiaque, esquii
e trekking. A Coast to Coast, em 1983, foi a primeira a introduzir
o novo conceito de uma corrida durante dois dias. O próximo
avanço crucial foi em 1989, quando o francês Gerard Fusil,
com o Raid Gauloises na Nova Zelândia, introduziu outros novos
conceitos: times de cinco pessoas incluindo pelo menos uma mulher,
todos eles tendo que correr e terminar juntos, numa corrida de vários
dias de duração com centenas de quilômetros, passando
por uma série de Postos de Controle de passagem obrigatória,
gerando o problema e navegação e orientação.
Foi aí que a corrida de aventura propriamente dita nasceu.
A popularização do esporte aconteceu com o primeiro
Eco-Challenge no estado de Utah, EUA em 1995, organizado pelo Mark
Burnett, que mais tarde ficaria famoso por produzir a série
Survivor, produzida no Brasil com o nome de No Limite.
Os outros Eco-Challenge foram nos estados americanos do Maine e Nova
Inglaterra em 1995, na Colúmbia Britânica (Canadá)
em 1996, Austrália em 1997, Marrocos em 1998, Argentina em
1999, Sabah (antigo Bornéu do Norte) em 2000, Nova Zelândia
em 2001, e Fiji em 2002. Depois, Mark Burnett, envolvido com outras
produções, principalmente o Survivor, parou de produzir
o Eco-Challenge.
No Brasil a corrida mais famosa era a EMA – Expedição
Mata Atlântica, que se iniciou em 1997 e chegou a ter uma grande
corrida de nível internacional na Amazônia, chamada de
EMA Amazônia, em 2001. No entanto, o empresário Alexandre
Freitas, organizador da corrida, contraiu um parasita enquanto corria
o Eco-Challenge de 2002 em Fiji, que o deixou com sérias seqüelas
e desde então a corrida não ocorreu mais. Atualmente
a corrida brasileira mais famosa é o Ecomotion-pro, que aconteceu
na Chapada Diamantina em 2003, na Costa do Dendê em 2004, e
na Serra Gaúcha em 2005. Existe uma grande probabilidade do
Ecomotion-pro de 2006 acontecer na Chapada dos Veadeiros.
As corridas de aventura envolvem um custo alto e, por isso, sempre
é bom ter patrocinadores. No entanto, muitas pessoas correm
por amor e pagam do próprio bolso as caras despesas desse esporte.
As despesas são caras porque envolvem equipamentos dispendiosos,
como bicicletas, remos, roupas e calçados técnicos,
e tudo o mais que for necessário para cada modalidade.
Além disso, os praticantes tem que viajar longas distâncias
para disputar as corridas, bancando hospedagem e alimentção,
sem falar na eventual equipe de apoio, que também tem que ser
financiada pela equipe. Por isso, vemos em corridas de aventuras tanto
pessoas mais velhas como jovens atletas. É necessário
ter-se um bom preparo físico, mas a corrida de aventura é
essencialmente um desafio mental e estratégico. É comum
vermos um dia antes das corridas os competidores tomando cerveja em
um barzinho ou até mesmo se refrescando com uma gelada durante
a corrida. Até pouco tempo atrás, ainda via-se competidores
europeus que até fumavam. Um exemplo clássico foi o
da equipe eslovena durante o Ecomotion da Costa do Dendê, em
2004, chegando em segundo lugar com várias latinhas de cerveja
vazias dentro dos caiaques. Veja bem, não quero dizer que todos
os atletas são beberrões ou tem esse tipo de hábito,
mas sim que se trata de pessoas comuns que querem principalmente se
divertir e ter prazer no que fazem. Hoje em dia algumas competições
proíbem a ingestão de bebidas alcoólicas durante
a corrida, mas também é comum ver uma equipe toda molhada
pela chuva, morrendo de frio, pedir uma cachaça numa birosca
de estrada durante a corrida para esquentar. Para ser um competidor
é necessário dominar as técnicas de várias
modalidades e ter bom preparo físico.
As melhores equipes são aquelas em que os competidores têm
bons níveis técnicos e físicos, mas a estratégia,
como eu disse, é fundamental. As equipes podem ser individuais,
duplas, trios ou quartetos, mais o mais comum são equipes de
quatro pessoas.
A maioria das competições exige que cada equipe tenha
pelo menos um competidor do sexto oposto dos outros.
Geralmente as equipes são compostas por três homens e
uma mulher. Mas existem equipes como a paulista Atenah, onde há
três mulheres e um homem. Geralmente cada equipe tem um capitão
e um responsável pela orientação. Pode haver
mais de um especialista em orientação dentro de uma
mesma equipe, mas é mais comum que uma só pessoa fique
responsável pela navegação.
Outros membros da equipe podem ter outras responsabilidades, como
especialista em primeiros socorros, ou o responsável pela administração
alimentar da equipe. As corridas de aventura são divididas
em duas categorias: as de sprint e as de longa duração.
As corridas de sprint não duram mais do que 24 horas e geralmente
não têm equipe de apoio. As de longa duração
podem ter até 500 km ou mais, duram vários dias e é
necessário que o time tenha uma equipe de apoio. Antes das
competições, geralmente no dia anterior, é feito
um briefing onde as equipes recebem o passaporte, os mapas e a descrição
do percurso que o apoio da equipe deverá fazer.
O mapa conterá os PC’s (postos de controle) e as AT’s
(áreas de transição). Em cada PC, a equipe deverá
carimbar seu passaporte e o responsável pelo PC anotará
a hora de chegada e saída da equipe no PC. Se a equipe perde
um PC pode ser punida ou desclassificada, dependendo das regras da
competição. As Áreas de Transição
são PC’s onde as equipes trocam de modalidade.
Por exemplo, o time larga fazendo um trekking e passa por dois PC’s.O
PC 3, onde é feita a transição para mountain
bike, é também o AT 1. Nesse ponto, o apoio da equipe
deverá estar esperando pelo time com tudo o que for necessário.
É responsabilidade do time preparar e ajudar a equipe de apoio
para a corrida, de forma que eles saibam:
O que é esperado deles.
O que eles irão fazer.
A preferência de cada competidor no ajuste dos equipamentos.
Quem tem algum problema médico.
Qual equipamento pertence a quem.
O que o time espera comer (há alguma restrição
alimentar?). |