Técnica de progressão em trekking? Esse cara deve estar viajando na maionese. Por acaso existe técnica pra caminhar? O pior (ou melhor, né?) é que sim. Caminhar no agreste não é como caminhar no parque. No mato encontramos vários obstáculos e vivemos situações com as quais devemos saber lidar para tirar o melhor proveito sem muito desgaste e risco de lesões e machucados. Alongamentos. Antes de colocar a mochila e começar a caminhada, alongue bastante as pernas, costas, braços e pescoço. Sempre que parar para descanso, alongue-se novamente antes de reiniciar a caminhada. Isso evitará a fadiga muscular. Com a experiência, você verá que o tempo usado com o alongamento não será em vão. Será, sim, de grande ajuda para que você chegue ao final da trilha sem “quebrar”, ou seja, sem se cansar muito ou ter dores musculares ou câimbras.
Os calçados => Primeiro devemos estar bem calçados. Eu sempre dou preferência para as botas de trekking. Gosto das botas impermeáveis, de tecidos resistentes como a Cordura, que têm o cano alto em formato de tubo, onde a língua não é separada do resto do calçado, mas com as laterais dobráveis. Assim, a única forma de entrar água é por cima. Com uma bota dessas podemos botar o pé na lama ou em poças d’água até o limite do cano e continuar com os pés secos. Além disso, o cano alto ajuda a prevenir torções. Em locais onde há gelo ou neve, também é bom usar um par de polainas, que são um tipo de proteção acima do cano da bota que evita que a neve entre por cima e depois derreta, causando um grande desconforto. Também é bom que a bota seja, além de impermeável, “respirável”, ou seja, que permita que o suor seja expelido, mas sem permitir a entrada de água. Este tipo de bota tem um tratamento químico no tecido ao qual devemos fazer uma manutenção e passarmos impermeabilizantes de tempos em tempos, principalmente nas costuras, de acordo com o uso. Se você fizer uma boa manutenção da sua bota, ela poderá durar vários anos. A minha está pra ser trocada em função do desgaste da sola, mas eu a usei intensamente por mais de quatro anos. No entanto, esse tipo de calçado tem algumas desvantagens. Primeiramente, são mais pesados que os tênis normais. Além disso, se você deixar entrar água, a bota vai ficar mais pesada ainda, dificultando ainda mais a sua caminhada, além de deixar seu pé encharcado e vulnerável a bolhas. Com botas desse tipo, é necessário tirá-las para atravessar um rio. A menos que você não se importe em andar com o pé encharcado e com a bota pesada. Mas, certamente, se você já passou por essa situação, você sabe o quão desconfortável é andar com a bota assim. De qualquer forma, essa é uma decisão sua, pois atravessar um rio fundo ou com águas rápidas descalço também poderá machucar os seus pés.
Bolhas => As bolhas são causadas pelo atrito do tecido de algodão da meia úmida de suor com a pele. Para evitar isso, use uma meia sintética, dessas tipo sociais, em baixo da meia de trekking. Mas não adianta usar uma meia social de algodão, tem que ser sintética.
Na hora de escolher as botas, leve suas meias grossas de trekking (meias duplas) e as meias sintéticas finas para experimentar o calçado. Dê preferência a um calçado mais folgado, pois os pés tendem a inchar em longas caminhadas.
Se eu estou fazendo uma trilha de aproximação a algum lugar, sempre uso minhas botas de trekking, mas levo tênis leves também.
Como a aproximação com a mochila cargueira demanda mais esforço em função do peso, faço-a com a bota. Se tiver que atravessar um rio, seja quantas vezes for, paro, tiro as botas e meias, atravesso o rio, e volto a calçá-las. Prefiro fazer isso dez vezes a andar com a bota molhada. Se molhar as botas de couro, não as deixe secando em frente à fogueira, pois isso endurecerá o couro.
Depois de feita a aproximação e de montado o acampamento, os calçados que eu vou utilizar para os passeios e para a exploração do lugar dependerão principalmente das informações que me levarem a saber se vou ter que atravessar muitos cursos d’água ou não, ou pelo menos da minha expectativa em relação a isso, de acordo com a leitura do mapa. Se souber que vou ter que atravessar rios várias vezes, uso um tênis desses que permitem o escoamento da água mais facilmente, como tênis de esportes aquáticos ou de corrida de aventura, que também são mais leves do que o normal depois de molhados. Mas, antes de comprá-los, verifique se o solado é compatível com uma caminhada. Esse tipo de tênis também pode ser substituído por um tênis velho ou uma papete, mas essa não vai proteger tão bem seu pé do meio externo.
Costumo colocar uma tornozeleira de neoprene em cada pé para prevenir torções quando não uso botas. Nesse caso, em que o tênis passará boa parte do tempo molhado, a meia sintética não é suficiente. Para evitar as bolhas, além de usar a meia sintética, besunte os pés com vaselina em pasta (pomada) e depois calce as meias. A vaselina evitará o atrito e as bolhas. No entanto, caso o terreno seja muito acidentado, e não haja muitas travessias de rios, darei preferência às botas. De qualquer forma, quando for fazer um acampamento com caminhadas adjacentes, sempre leve um tênis leve de reserva, ou pelo menos um par de chinelos, ou de papetes.
Pernas => As pernas devem sempre estar protegidas para evitar que as canelas se machuquem muito. Dê preferência a calças bermuda de Supplex, que secam rápido, e que você poderá destacar as pernas se estiver com calor. Se estiver em um local selvagem pouco explorado, coloque perneiras de couro dessas achadas facilmente em lojas de ferragens ou outro tipo de proteção para se prevenir de picadas de cobras. |