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TÉCNICAS DE PROGRESSÃO EM TREKKING
Texto: Rodrigo Bulhões
Caminhando: A biomecânica e a marcha => A biomecânica é o estudo do movimento humano empregado como ferramenta de trabalho das leis da física. Tem por objeto, além de realizar uma minuciosa análise tendente a explicar o movimento ou gesto desportivo, aumentar o rendimento do desportista e diminuir o risco de possíveis lesões esqueléticas ou musculares, com base em conceitos como força, velocidade, aceleração, inércia, impulso e equilíbrio. Nosso sistema esquelético funciona com base nos sistemas mecânicos das articulações para aumentar o rendimento de nossos músculos. O CGC (Centro de Gravidade Corporal) é um ponto onde se concentra o resultante das ações da força da gravidade sobre todos os pontos do corpo humano, seja qual for a sua posição. Como nosso corpo não é rígido, o CGC poderá deslocar-se em função da postura que se adote. Na posição anatômica em pé, o CGC se encontra aproximadamente na altura do umbigo, e alguns centímetros à frente da terceira vértebra lombar. O controle do nosso CGC, ou melhor, a postura que adotamos para realizar determinado movimento ou gesto, será fundamental para que consigamos um bom equilíbrio e desenvolver uma correta marcha de progressão. Uma posição estável ou de equilíbrio ocorrerá sempre que a projeção perpendicular de nosso CGC recair sobre nossos pontos de apoio, ou pés.
Em termos de biomecânica, consideramos a marcha como uma forma de locomoção bípede, com atividade cíclica dos membros inferiores, ou seja, repetindo um padrão básico ao longo do tempo. Conserva o equilíbrio dinâmico e aproveita num maior ou menor grau a força da gravidade. Quando caminhamos, o CGC oscila nos planos vertical e horizontal do nosso corpo, descrevendo uma linha de avanço sinuoso. Isso nos permite ir trocando alternativamente o peso do nosso corpo de um pé a outro a cada passo. Para que esse processo aconteça, nosso corpo produz uma série de ajustes no esqueleto, junto com o funcionamento dos grupos musculares utilizados, que dão lugar à postura adequada ao movimento ou gesto que se pretende fazer. Ao carregar uma mochila de certo peso, o CGC de desloca retraindo-se e elevando-se um pouco. Esse é o motivo pelo qual, sem pensar, nos inclinamos um pouco para frente para manter a mochila perpendicular aos pés e garantir o equilíbrio.

A mochila cargueira => Eu disse isso tudo para explicar por que sua mochila cargueira deve permitir as regulagens necessárias para um ótimo balanceamento da carga, que evite fadiga excessiva sobre as costas ou pernas. As boas mochilas cargueiras têm uma armação de alumínio interna nas costas, uma faixa com encaixa que se chama “barrigueira”, um sistema de regulagem da distância entre as faixas das costas e a barrigueira, uma faixa peitoral e duas alças na altura do peito, e uma presilha junto à parte de cima de cada uma das alças dos ombros.
A primeira coisa que você deverá fazer ao adquirir sua mochila cargueira é regular a altura das costas. As boas mochilas têm um sistema de regulagem que permite regular a distância das alças em relação à barrigueira. Possui geralmente cinco regulagens de altura (XL, L, M, S, XS) e uma faixa de posicionamento com Velcro. O peso da mochila deverá sempre recair sobre a barrigueira, como se fosse uma pochete, ficando um pouco mais solta às costas. A faixa barrigueira deve ficar presa bem justa na altura dos ossos dos quadris. Quando progredimos em uma subida ou em linha reta, essa deve ser a configuração da mochila: bem presa na barrigueira, e frouxa nas costas, tirando o peso das costas e mantendo no seu CGC na altura dos quadris. Quando você descer, o CGC mudará e você terá que trazer a mochila mais pra junto das costas. Para isso existe uma faixa que sai das presilhas que ligam as alças dos ombros à parte de cima da mochila. Se você puxar essas faixas, as alças ficarão mais apertadas e a mochila ficará mais colada às suas costas. Quando chegar no plano ou na subida de novo, solte as presilhas, que estas soltarão uma determinada extensão da faixa à qual estão presas, e, consequentemente, cada uma das alças dos ombros (dependendo da sua regulagem), voltando ao ponto de equilíbrio anterior. As alças na altura do peito também ajudam a trazer a mochila para mais junto das costas.

Atravessando rios => Como eu disse, andar com botas molhadas pode ser muito desconfortável e, embora atravessar pequenos córregos descalço possa não trazer muito risco para os pés, rios mais fundos ou caudalosos podem machucar pés que não estejam protegidos Atravessar um rio pode ser uma tarefa perigosa em certas circunstâncias e requer conhecimento aquático para se escolher o melhor local para atravessar. A água normalmente se move mais rápido nos pontos mais estreitos. Às vezes, cruzar o rio num ponto onde o curso d’água seja mais fundo e mais largo, pode ser mais fácil do que num ponto mais estreito.
Para qualquer travessia de riacho fundo ou com águas rápidas, ou em rios:
- Afrouxe as alças da sua mochila para que seja mais fácil retirá-la no caso dela se prender em alguma coisa.
- Caso ache que atravessar o rio com sua mochila nas costas vá dificultar a manutenção do seu equilíbrio, crie um esquema para atravessar as mochilas, fazendo uma fila com seus companheiros ou utilizando cordas.
- Se estiver com bastões de caminhada, use-os para dar equilíbrio, ou ache uma vara.
- Avalie a situação e tome a decisão se vai ser melhor manter os pés descalços e os sapatos secos, ou se deverá manter seus sapatos calçados para proteger os pés.
- Mova-se devagar e deliberadamente, plantando seus pés firmemente. Nunca se mova em águas rápidas atado a uma corda. Se você escorregar, cair, ou submergir é possível que você fique preso em baixo d’água por causa da corda. Cruzar os braços com os companheiros, ou segurar e estabilizar um companheiro enquanto estiverem cruzando o rio, é normalmente um esforço de equipe que vale à pena.
Uma corda pode ser um bom ponto de apoio para se cruzar um rio, mas preste atenção: a corda deverá ficar na diagonal. Ou seja, a ponta da corda que fica na margem de saída deve ficar mais acima da ponta da corda que fica na margem aonde se chega, de modo que a correnteza te ajude a atravessar o rio. Se você esticar a corda perpendicularmente, num ângulo reto em relação à margem, em vez de na diagonal, certamente você criará um vértice, ou um “V”, no meio da corda quando estiver atravessando, e ficará em maus lençóis preso na corrente. O último a passar deverá ficar na diagonal inversa, ou seja, a ponta da corda na margem de saída deverá ficar abaixo da ponta da margem de chegada, e ele atravessará em linha reta, assegurado por um companheiro na margem oposta.
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