| Muitos procedimentos, embora não recomendados,
são ainda amplamente empregados como medidas visando retardar
a absorção no veneno. Boa parte deles pode, na verdade,
contribuir para a ocorrência de complicações
no local da picada.
O que não fazer
• Não amarrar o membro acometido: O torniquete ou garrote
dificulta a circulação do sangue, podendo produzir
necrose ou gangrena e não impede que o veneno seja absorvido.
• Não cortar o local da picada: Alguns venenos podem
inclusive provocar hemorragias e o corte aumentará a perda
de sangue.
• Não chupar o local da picada: Não se consegue
retirar o veneno do organismo após a inoculação.
A sucção pode piorar as condições do
local atingido.
• Lavar o local da picada somente com água e sabão:
Não colocar substâncias no local da picada, como folhas,
querosene, pó de café, pois elas não impedem
que o veneno seja absorvido, pelo contrário, podem provocar
infecção.
• Evitar que o acidentado beba querosene, álcool ou
outras bebidas
Além de não neutralizarem a ação do
veneno, podem causar intoxicações.
O que fazer
• Manter o acidentado em repouso: Se a picada tiver ocorrido
em pé ou perna, procurar manter a parte atingida em posição
horizontal, evitando que o acidentado ande ou corra.
• Levar o acidentado o mais rapidamente possível a
um serviço de saúde: É difícil estabelecer
um prazo para o atendimento adequado porém o tempo decorrido
entre o acidente e o tratamento é um dos principais fatores
para o prognóstico. O soro é o único tratamento
eficaz no acidente ofídico e deve ser específico para
cada tipo (gênero) de serpente
Acidentes por escorpião
• Os escorpiões de importância médica
estão distribuídos em todo o país, causam dor
no local da picada, com boa evolução na maioria dos
casos, porém crianças podem apresentar manifestações
graves decorrentes do envenenamento.
Em caso de acidente, recomenda-se fazer compressas mornas e analgésicos
para alívio da dor até chegar a um serviço
de saúde para as medidas necessárias e avaliar a necessidade
ou não de soro.
Acidentes por aranhas
• São três os gêneros de aranhas de importância
médica no Brasil: Loxosceles ("aranha-marrom"):
é importante causa de acidentes na região Sul. A aranha
provoca acidentes quando comprimida; deste modo, é comum
o acidente ocorrer enquanto o individuo está dormindo ou
se vestindo, sendo o tronco, abdome, coxa e braço os locais
de picada mais comuns. Phoneutria ("armadeira", "aranha-da-banana",
"aranha-macaca"): a maioria dos acidentes é registrada
na região Sudeste, principalmente nos meses de abril e maio.
É bastante comum o acidente ocorrer no momento em que o indivíduo
vai calçar o sapato ou a bota. Latrodectus ("viúva-negra"):
encontradas predominantemente no litoral nordestino, causam acidentes
leves e moderados com dor local acompanhada de contrações
musculares, agitação e sudorese.
As aranhas caranguejeiras e as tarântulas, apesar de muito
comuns, não causam envenenamento. As que fazem teia áreas
geométricas, muitas encontradas dentro das casas, também
não oferecem perigo.
Acidentes por taturanas ou lagartas
As taturanas ou lagartas que podem causar acidentes são formas
larvais de mariposas que possuem cerdas pontiagudas contendo as
glândulas do veneno. É comum o acidente ocorrer quando
a pessoa encosta a mão nas árvores onde habitam as
lagartas.
O acidente é relativamente benigno na grande maioria dos
casos. O contato leva a dor em queimação local, com
inchaço e vermelhidão discretos. Somente o gênero
Lonomia pode causar envenenamento com hemorragias à distância
e complicações como insuficiência renal.
Soros
• Os soros antipeçonhentos são produzidos no
Brasil pelo Instituto Butantan (São Paulo), Fundação
Ezequiel Dias (Minas Gerais) e Instituto Vital Brazil (Rio de Janeiro).
Toda a produção é comprada pelo Ministério
da Saúde que distribui para todo o país, por meio
das Secretarias de Estado de Saúde. Assim, o soro está
disponível em serviços de saúde e é
oferecido gratuitamente aos acidentados.
Pergunta mais frequentes
Quais são os animais peçonhentos de importância
em saúde pública?
• Serpentes do grupo da jararaca, cascavel, surucucu e coral
verdadeira; algumas aranhas como a aranha marrom, armadeira e a
viuva negra, além dos escorpiões preto e o amarelo.
Como prevenir acidentes com ofídios?
• Não andar descalço: sapatos, botinas sem elásticos,
botas ou perneiras devem ser de usados pois evitam 80% dos acidentes;
• Olhar sempre com atenção o local de trabalho
e os caminhos a percorrer;
• Usar luvas de couro nas atividades rurais e de jardinagem,
nunca colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos
de árvores, cupinzeiros, entre espaços situados em
montes de lenha ou entre pedras;
• Não utilizar diretamente as mãos ao tocar
em sapé, capim, mato baixo, montes de folhas secas; usar
sempre antes um pedaço de pau, enxada ou foice, se for o
caso;
• Tampar as frestas e buracos das paredes e assoalhos;
• Quando entrar em matas de ramagens baixas, ou em pomar com
muitas árvores, parar no limite de transição
de luminosidade e espere sempre a vista se adaptar aos lugares menos
iluminados;
• Se por qualquer razão tiver que abaixar-se, além
de olhar bem o local, bater a vegetação ou as folhas:
a coloração da jararaca e da cascavel se confunde
muito com a das ramagens e folhas secas e há casos de acidente
onde a pessoa não enxerga a serpente.
• Não depositar ou acumular material inútil
junto à habitação rural, como lixo, entulhos
e materiais de construção; manter sempre a calçada
limpa ao redor da casa.;
• Evitar trepadeiras muito encostadas a casa, folhagens entrando
pelo telhado ou mesmo pelo forro.
• Controlar o número de roedores existentes na área
de sua propriedade: ao lado dos outros problemas de saúde
pública, a diminuição do número de roedores
irá evitar a aproximação de serpentes venenosas
que deles se alimentam;
• Não montar acampamento junto a plantações,
pastos ou matos denominados “sujos”, regiões
onde há normalmente roedores e maior número de serpentes;
• Não fazer piquenique às margens dos rios ou
lagoas, deles mantendo distância segura, e não encostar
em barrancos durante a pescaria;
• Manuseio de serpentes vivas deve ser feito com laço
de luz ou com ganchos apropriados, por pessoas treinadas e com aptidão
para o ofício. Não tocar nas serpentes, mesmo mortas,
pois por descuido ou inabilidade há o risco de ferimento
nas presas venenosas;
• No amanhecer e no entardecer, nos sítios ou nas fazendas,
chácaras ou acampamentos, evitar a aproximação
da vegetação muito próxima ao chão,
gramados ou até mesmo jardins; é nesse momento que
as serpentes estão em maior atividade;
• Proteger os predadores naturais de serpentes como as emas,
as siriemas, os gaviões, os gambás e cangambás,
e manter animais domésticos como galinhas e gansos próximos
às habitações que, em geral, afastam as serpentes.
A caninana, é uma das cobras mais venenosas do Brasil? O
bafo da jibóia é venenoso e causa cobreiro?
• Não, a caninana não é peçonhenta
mas á uma serpente muito agressiva, atacando quando se sente
ameaçada. Como a jibóia também não é
uma cobra peçonhenta, o bafo não é venenoso
e nem causa cobreiro. Existem na natureza muito mais serpentes do
grupo não peçonhento do que as consideradas peçonhentas
de importância médica, que eventualmente podem picar
e causar acidentes.
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