Era para ser mais uma viagem de férias e por coincidência casou com a data de uma etapa do XTerra e a prova que era só pra curtir, pois fazia muito tempo que não corria um
trail e sendo a primeira prova noturna, o que era curtição, ‘
sem querer’ virou coisa séria…
Aquela '
vibe' pré prova, dei um beijo na gata pra dar sorte, entrei no corredor da largada e na ansiedade fiquei colado no ‘
pelote' da frente, onde tinha de tudo, de entusiastas, ‘
instagramers’, corredores locais e um grupo do triathlon, que em uma conversa e outra diziam que era pra pegar pódio, nessa hora o psicológico do ‘
pra ir de boa’ já tava dormindo e o ‘
pisico adrenado’ já sussurrava: “
Arrocha e vai na cola dos caras!!”.
Dada a largada e nos 500m na areia da praia ‘
calango’ do cerrado patina mais que corre neste terreno ao qual não estamos habituados, mas passei uma galera e me firmei em sexto.
Saindo da areia e entrando na Vila o pace estava abaixo dos 3, o bagaço era tanto que nem dava pra ver o visor do relógio, passei um local ficando em 5⁰ e na cola dos triatletas escutava eles dizendo: “
Abaixa o ritmo!! Abaixa!!”
E eu no psicológico gritava: “
Abaixa seus putos!! Tá foda manter!!”
Nessa hora já estávamos cruzando a parte comercial da Vila e a galera na rua, nos bares, restaurantes, turistas e moradores iam aplaudindo, gritando e dando aquele gás, uma emoção indescritível e em locais mais movimentados da Vila um corredor era formado, a energia que a galera passava dava um ânimo a mais.
Saindo da Vila e entramos no trecho mais longo na areia da praia, passagem por um riacho e retornamos para a Vila, agora na parte beira mar, onde o fluxo de gente é muito maior e a adrenalina deu um '
UP', aplausos, gritos de incentivo e a pisada ganhou mais força.
Passamos pela área da Arena XTerra entre os gritos da galera, escutei o apoio da minha parceira de vida, aventuras e de puro love, gritando: “
Booora meu amoooor!!”
Seguimos para a trilha, aí a brincadeira mudou, trecho técnico, subida em rocha, erosão e o ritmo diminuiu, até por segurança num terreno propício para uma torção, ou tombo.
Na maciota passando a cachoeira veio o trecho de descida, cautela para não pegar muita velocidade, atenção redobrada onde pisa, tem buraco, tem vala, tem raízes, pedra e tudo um pouco pra te derrubar.
Chegando no plano aumentei o ritmo, pau na máquina, liga o turbo e só vai…
Na parte técnica aproveitei a desaceleração e fiz um controle de respiração para ‘
dar uma descansada’ o que me deu um gás a mais para um tiro longo e forte até a saída da trilha.
Logo vi as luzes da Arena XTerra, já escutava o som e a galera do Staff da prova a cada ponto que incentivava de forma enérgica para não perder o ritmo.
A última curva à esquerda, entra de volta na areia, última curva à direita, beira mar, procuro logo o chão mais firme e taca marcha.
Vem a chegada, o pórtico, a faixa, um corredor humano apoiado no gradil gritando, aplaudindo e num tiro final passo aquela chegada que simbolicamente é só uma faixa, mas nessa linha histórica toda traz uma bagagem de lembranças dos treinos, realmente indescritível.
No fim vem a notícia,
5º colocado no geral e
1º na minha categoria, até eu fiquei surpreso…
Agradeço a minha amada, que está junto sempre e para a galera que dá uma força e apoio nos treinos...
Relato: Flávio Martins Santos
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